Filhos sem mães, pais sem filhas, maridos sem esposas. Em meio a uma greve, cuja reivindicação era, sobretudo, a redução da carga horária trabalhada de 16 para 10 horas por dia, em 8 de março de 1857,130 operárias de uma fábrica em Nova Iorque foram queimadas, fato este que transformou o 8 de março o Dia Internacional da Mulher.
Embora a passos lentos, depois de 1857 muita coisa mudou. O papel da mulher deixou de ser exclusivamente de gestora de um novo ser e dona do lar, para algo bem maior e esplendoroso, que a transforma em pessoa feliz e realizada.
Nas empresas, órgãos públicos, variadas modalidades de esporte e na política, é impossível não notar sua participação. Nas salas de aulas somos maioria, seja na posição de professora ou estudante. No trânsito, somos as menos causadoras de infrações. Na TV e demais meios de comunicação, não ocupamos espaço somente nos programas de culinária. A prova disso é o encanto nos textos da jornalista Malu Fontes, o profissionalismo de Dora Kramer, Mirian Leitão e tantas outras. Assuntos como economia, política e esporte passaram a ser discutidos também pelas mulheres.
Maria da Penha – No Brasil a Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2007, foi criada para proteger a mulher, principalmente dos atos violentos praticados pelo companheiro que em muitos casos torna-se o principal adversário para suas conquistas. Lei esta que foi criada baseada na vida de uma mulher, Maria da Penha, hoje símbolo contra a violência doméstica, que lutou 20 anos para ver seu agressor condenado, que em uma das tentativas de matá-la, a deixou paraplégica.
Diante tal brutalidade, o caso chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acatou, pela primeira vez, a denúncia de um crime de violência doméstica. O agressor foi preso e cumpriu dois anos de prisão. Hoje está em liberdade.
As mudanças aconteceram, mas há casos que ferem corpo e alma da mulher. A violência sexual, que faz vítima também seus filhos ainda crianças, o assédio moral, o uso e exploração do corpo como produto. Muitas mulheres, vítimas da violência doméstica se calam por medo ou vergonha. O salário ainda é inferior, mesmo que esteja no mesmo cargo ocupado por um homem.
O objetivo para a criação dessa data não foi comemorar, mas relembrar fatos e, principalmente discutir o papel da mulher na sociedade atual, bem como o preconceito e desvalorização ainda enfrentados.