Arquivo paraFevereiro, 2008

MANCHA que causa deficiência

A hanseníase é uma doença provocada por um micróbio que afeta a pele e os nervos e se não houver tratamento pode causar paralisia dos membros e até mesmo cegueira.Sua manifestação se dá através de manchas na pele esbranquiçadas ou avermelhadas que não dói nem coçam, mas na região afetada o pêlo começa a cair e se acontecer uma queimadura ou corte no local da mancha a pessoa não sente, por isso o ferimento aumenta; quando atinge os nervos, principalmente aqueles próximo da pele, causam dores, perda de sensibilidade nas áreas ligadas por esses nervos, principalmente nos olhos (pálpebras), perda de força nos músculos inervados, membros superiores e inferiores, pés e mãos.
 Francisco Alves, que já foi infectado pelo micróbio e hoje é voluntário do MORHAN, apesar de ter sido curado após quatro anos de tratamento, é deficiente da perna e ficou com seqüelas nos dedos das mãos. Isso porque detectou o micróbio já em estado avançado. Ele diz que além dos sofrimentos físicos causados pela doença, a pessoa atingida pela hanseníase tem que enfrentar o preconceito da sociedade. “Quando fui atingido por esse micróbio, há cinqüenta anos atrás as pessoas chamavam de lepra; “naquele tempo parece que me excluíram da sociedade”; hoje não chamam mais assim, mas o preconceito continua, afirma”. Francisco alerta a necessidade de se procurar um médico com o aparecimento de qualquer mancha.
De acordo com o instituto MORHAN o contágio ocorre através da pessoa doente, portadora do micróbio bacilo de Hansen, que é eliminado em forma de gotas no ar pela tosse, fala ou espirro, atingindo pessoas de todas as idades. Por isso qualquer sintomas as pessoas devem se dirigir ao médico, pois quanto mais cedo o diagnostico, mais rápido será o tratamento

Maiores informações MORHAN núcleo Salvador BA.
(71) 3322- 4158/ 3238- 9646.

POPULAÇÃO não cobra responsabilidade dos seus representantes no governo

Em Salvador, em meio a tantos problemas sociais que deixam a população carente de direitos fundamentais como educação, saúde, emprego, saneamento, principalmente nos bairros periféricos, o povo e seus representantes políticos na Câmara Municipal parecem lutar por objetivos diferentes. A princípio, vale lembrar que os governantes são representantes populares eleitos para trabalhar para o bem-estar de todos, já que se trata da administração do dinheiro público. No entanto, a maioria da população não exerce o direito de cobrar dos agentes políticos o cumprimento de suas obrigações.
A Câmara Municipal de Salvador é composta por 41 vereadores eleitos diretamente pela população, mas poucos eleitores se lembram para quem votou nas últimas eleições e desconhecem o que ocorre no Legislativo municipal, inclusive os projetos apresentados. A corretora de vendas Patrícia Rodrigues diz não se lembrar para quem votou. “Se tivesse uma lista com todos os candidatos, talvez assim eu lembrasse”. Já a promotora Renato Souza, agente administrativo, diz que nem lembra mais em que eleição votou. “Prefiro pagar multa que votar para essas pessoas que só entra na política para roubar, De acordo com Renato se a população tivesse autonomia para tirar os políticos do poder, ele votaria. Raiana Santana afirma lembrar em quem votou, mas não acompanha o trabalho do vereador.
Desde 2004, ano das últimas eleições municipais, foram apresentados à Câmara 385 projetos, dos quais 161 foram aprovados. De acordo com o coordenador de apoio ao Plenário, Augusto Barreto, a votação para a aprovação é aberta ao público, mas apesar do comparecimento de pessoas de bairros populares, quem mais acompanha as votações são aqueles que têm interesse particular nos projetos. Ele diz que a falta de informação do povo faz com que este não se interesse nos assuntos tratado no Legislativo.

FALTA DE FISCALIZAÇÃO facilita venda de remédios abortivos

A facilidade em adquirir medicamentos abortivos é um dos fatores que contribui para o crescimento de um índice que nem sempre se limita à morte da criança, produto de uma gravidez indesejada ou inconveniente. O aborto pode causar sérios problemas à saúde física e mental da mulher, além de causar também a sua morte.
Na opinião da ginecologista obstétrica da maternidade Albert Sabin, em Cajazeiras, Mônica Bahia, é muito fácil para qualquer mulher fazer um aborto. Além das clínicas clandestinas que realizam esse procedimento sem qualquer critério, há uma facilidade em adquirir medicamentos que podem induzir à ocorrência do aborto. Entre esses medicamentos estão alguns cuja comercialização é proibida, como é o caso do Cytotec, utilizado para tratar e prevenir doenças como úlceras gástricas, importado clandestinamente do México para atender a um público de baixa renda e de baixa consciência quanto ao risco a que se expõe ao fazer uso do comprimido para induzir ao aborto.
De acordo com a farmacêutica Osvaldina Silva, apesar de estar com a venda proibida no Brasil, a falta de fiscalização por parte das autoridades sanitárias tem sido o aliado principal para a venda clandestina deste medicamento utilizado como método abortivo e contraceptivo.
A doméstica J. M. dos S. C., 25, afirma não ter enfrentado dificuldade para adquirir o remédio. Ela é mãe de dois filhos e tem seis irmãos; utilizava anticoncepcional injetável, mas, por falta de condições para comprar o medicamento acabou engravidando, e no terceiro mês de gestação resolveu abortar. “Fui à farmácia e comprei o remédio (Cytotec). Nem me perguntaram para quê”, afirma.
De acordo com a médica Mônica Bahia, quando a gestante utiliza o Cytotec nos três primeiros meses e a gestação não é interrompida, há o risco de a criança nascer com má formação física.