Como a pressão da Globo tirou uma emissora da parabólica

Desde o último dia 25 de fevereiro, o canal cearense TV Diário, auto-intitulado “A TV do Nordeste”, teve seu sinal via parabólica tirado do ar. A retirada foi resultado de pressões da Rede Globo junto ao sistema Verdes Mares, do qual a emissora faz parte.

 

Com isso, a oferta da TV Diário, que até então chegava a uma parcela significativa do território brasileiro, ficou restrita apenas ao estado do Ceará. A Rede Globo, em nota, justificou a investida argumentando que ela teve como objetivo harmonizar os sinais de emissoras afiliadas, restringindo-os aos seus territórios de origem.

 

 “A TV Globo, como cabeça de rede da Rede Globo, formada por 121 emissoras, procura harmonizar os sinais de VHF e UHF de forma a que estes fiquem circunscritos a seus territórios de cobertura. Desta forma, em busca de uma harmonia entre todos e pelo respeito recíproco aos interesses, a atuação da TV Diário estará restrita a seu território de cobertura, não sendo mais captada em território de outros afiliados. Seu sinal permanecerá no satélite, cobrindo o estado do Ceará, porém codificado”, diz o comunicado da Rede.

 

 A nota, contudo, não esclarece qual a prerrogativa da cabeça para comandar a harmonização de sinais de emissoras que não estão no seu quadro de afiliadas, como é o caso da TV Diário. Para Bruno Marinoni, mestre em comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco e pesquisador sobre as estratégias do Sistema Verdes Mares no mercado cearense, as Organizações Globo tentam confundir o público insinuando que a TV Diário seria parte de sua rede, quando na verdade apenas a TV Verdes Mares faz parte dela .

 

 “Assim, elas misturam suas medidas de ‘padronização’ das afiliadas com a pressão que vêm fazendo para minar as possibilidades de expansão de um concorrente no mercado nacional”, diz o pesquisador. O que se revela nesse processo, completa, “é a luta selvagem e desigual entre duas empresas em que a mais fraca baixa a cabeça e segue em frente numa ‘cooperação constrangida’”.

Mariana Martins

 

Mundo afro

CDCN toma posição sobre a TV

O Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN) tomou a dianteira sobre uma questão que vem há alguns meses incomodando setores do movimento negro organizado e também quem não é militante: a pauta dos chamados programas populares na TV local, principalmente o Se Liga Bocão e o Na Mira. Isto por uma questão óbvia: os personagens mostrados em situações constrangedoras são sempre negros e pobres.


Amanhã, quinta-feira, 26, às 11 horas, representantes do CDCN, presidido pela socióloga-guerreira Vilma Reis, que tem um excelente trabalho acadêmico sobre violência policial versus etnicidade, irão ao Ministério Público, mais especificamente na Promotoria de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa.


A entidade vai formalizar denúncia por entender que estes programas estão violando direitos humanos básicos.

           
“Atualmente, os programas sensacionalistas julgam e sentenciam a população negra baiana ao vivo, como um triste espetáculo de horror”, diz Vilma Reis, em nota oficial do CDCN. Ela enumera a pauta das produções: exibição de perfurações a bala, de presos nas delegacias e de conflitos entre mulheres.


O CDCN decidiu entrar com a denúncia por conta do não cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o MP e os representantes dos programas.Na mesma audiência estará em pauta também a desobediência a uma portaria da Polícia Civil, publicada em maio do ano pasado, que proíbe a exibição de imagens de presos sob custódia do Estado.

 

“Em pleno Estado democratico de direito, onde todas as instituições estão funcionando, não podemos suportar tal ofensa em silêncio. Que o argumento da censura não seja manipulado para violar nossos direitos”, completa Vilma.


A ação do CDCN traz mais uma vertente do choque entre o que se considera liberdade de expressão e desrespeito à dignidade da pessoa humana. Um direito,claro, não pode passar por cima de outro.

Além disso, vale lembrar que televisão é concessão pública, portanto patrimônio do Estado que não pode permitir que seus princípios sejam desrespeitados. Por outro lado qualquer comunicador ético sabe bem a diferença entre o limite de falar o que pensa e responsabilidade social.

 

Jornal A Tarde 25/03/2009.

 

 

Conferência Nacional de Comunicação, antes tarde do que nunca

 Laurindo Lalo Leal Filho

Bastou o governo confirmar a Conferência Nacional de Comunicação e a campanha contra começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP [Sociedade Interamericana de Prensa].

No Brasil, comunicação sempre foi um não-assunto. Contam-se nos dedos os jornais que, em algum momento, abriram espaço para uma reflexão crítica a respeito do próprio trabalho. Para o rádio e a televisão dispensam-se os dedos, não há autocrítica. Se do conteúdo informativo pouco ou nada se fala, sobre as lutas de seus trabalhadores o silêncio é total. Lembro uma campanha salarial liderada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná que espalhou outdoors por Curitiba com a frase ‘a nossa dor não sai nos jornais’. Naquela época, anos 1980, as dores de outras categorias até apareciam em algumas páginas, menos a dos jornalistas.

E os jornalistas, além das suas dores e angústias profissionais, têm muito a falar sobre a sociedade e os meios de comunicação. Muito mais do que seus patrões permitem. Claro que há jornalistas e jornalistas, como lembrou em artigo exemplar nesta página Marcelo Salles. São, de um lado, os que estão comprometidos com as imprescindíveis e necessárias transformações sociais e, de outro, os ventríloquos dos que lhes pagam altos salários no fim do mês. A maioria ganha pouco, trabalha muito e tem que ficar quietinha cumprindo as pautas determinadas pelos interesses empresariais.

Essa divisão se já era bem nítida, agora escancarou-se diante da anunciada realização da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica de vários setores da sociedade. Bastou o governo confirmar o evento, a campanha contra começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP [Sociedade Interamericana de Prensa]. A entidade se diz preocupada ‘porque os debates [na Conferência] serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa?. Expressão que pode ser traduzida pelo temor diante da possibilidade de um debate mais sério e aprofundado sobre o pensamento único imposto pelos grandes meios de comunicação aos nossos países. Afinal, debates como o proposto podem conduzir a ações práticas, capazes de impor limites a esse poder incontrolado.

Do lado patronal dificilmente sairia posição diferente, afinal estão defendendo interesses de classe seculares. O triste é constatar que enquanto centenas de trabalhadores da mídia mobilizam-se em todo o Brasil a favor da realização da Conferência, uns poucos jornalistas e radialistas, agem em sentido contrário. Caso emblemático é o de um âncora e de uma repórter da rádio CBN que usaram longos minutos da programação para ecoar pelo país as posições dos seus patrões. Usavam o velho procedimento dos comunicadores populares, decodificando para grandes audiências as concepções ideológicas de quem lhes paga os salários. Esbanjando informalidade, usando a ridicularização como arma, eles levam ao ouvinte as mesmas idéias que os jornais apresentam de forma mais elaborada, nos editoriais ou nas colunas dos seus articulistas. Colaboram, dessa forma, para popularizar as idéias da classe dominante tornando-as dominantes em toda a sociedade, como já notava aquele pensador do século 19, cada vez mais atual.

Mas há resistência. Rapidamente os sindicatos dos jornalistas do Distrito Federal e do Estado do Rio de Janeiro foram a público repudiar a posição da SIP e dos seus porta vozes nacionais. Os jornalistas do DF através de sua entidade perguntam ‘O que pretendem os grandes empresários da comunicação? Pressionar o governo para retirar o apoio à Conferência, facilitando assim a manutenção intacta dos oligopólios que dominam, e que manipulam a informação, em detrimento do interesse público’. E os fluminenses afirmam: ‘A nossa entidade não pode silenciar diante do posicionamento pouco democrático manifestado pela SIP. É preciso deixar bem claro que o patronato mente quando diz que defende a liberdade de imprensa, pois está, isto sim, defendendo de fato a liberdade de empresa, que não aceita a ampliação dos espaços midiáticos a serem ocupados pelos mais amplos setores representativos do povo brasileiro, como são os movimentos sociais’.

Apesar das pressões, não há dúvida que a Conferência vai sair. Pelos estados já se realizam conferências regionais preparatórias para o encontro nacional marcado para o começo de dezembro, em Brasília. Diante do fato irreversível, as entidades patronais tentam impor suas pautas ao debate. Segundo a Folha de S.Paulo, para Paulo Tonet, da Associação Nacional de Jornais, discutir monopólio e propriedade cruzada é um retrocesso. Para ele o tema tem que ser ‘conteúdo nacional e igualdade de tratamento regulatório’. Mais uma frase que precisa tradução: ele quer dizer que a Conferência só deve tratar dos interesses das empresas de rádio e televisão, preocupadíssimas com a entrada no mercado de radiodifusão das operadoras de telecomunicações.

E parte para o sofisma ao chamar de retrocesso a discussão em torno do monopólio e da propriedade cruzada dos meios de comunicação, sem dúvida a maior chaga existente na comunicação social brasileira. Não há como democratizá-la sem que se enfrente com determinação esse obstáculo.

O tema geral da Conferência será ‘Comunicação: Direito e Cidadania na Era Digital’. Amplo o suficiente para caber tudo. Daí a importância da mobilização nacional, necessária para impedir que os interesses empresarias da mídia se sobreponham aos da sociedade. Conferências de outros setores, como saúde, educação e direitos humanos, por exemplo, tem sido decisivas para o encaminhamento das respectivas políticas
públicas. A da comunicação não pode fugir à regra.

 

Laurindo Lalo Leal Filho é sociólogo, jornalista e professor de Jornalismo da ECA-USP e da Faculdade Cásper Líbero. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” [Summus Editorial].

Novas conquistas e velhos preconceitos

Filhos sem mães, pais sem filhas, maridos sem esposas. Em meio a uma greve, cuja reivindicação era, sobretudo, a redução da carga horária trabalhada de 16 para 10 horas por dia, em 8 de março de 1857,130 operárias de uma fábrica em Nova Iorque foram queimadas, fato este que transformou o 8 de março o Dia Internacional da Mulher. 

 

Embora a passos lentos, depois de 1857 muita coisa mudou. O papel da mulher deixou de ser exclusivamente de gestora de um novo ser e dona do lar, para algo bem maior e esplendoroso, que a transforma em pessoa feliz e realizada.

Nas empresas, órgãos públicos, variadas modalidades de esporte e na política, é impossível não notar sua participação. Nas salas de aulas somos maioria, seja na posição de professora ou estudante. No trânsito, somos as menos causadoras de infrações. Na TV e demais meios de comunicação, não ocupamos espaço somente nos programas de culinária. A prova disso é o encanto nos textos da jornalista Malu Fontes, o profissionalismo de Dora Kramer, Mirian Leitão e tantas outras. Assuntos como economia, política e esporte passaram a ser discutidos também pelas mulheres.

 

Maria da Penha – No Brasil a Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2007, foi criada para proteger a mulher, principalmente dos atos violentos praticados pelo companheiro que em muitos casos torna-se o principal adversário para suas conquistas. Lei esta que foi criada baseada na vida de uma mulher, Maria da Penha, hoje símbolo contra a violência doméstica, que lutou 20 anos para ver seu agressor condenado, que em uma das tentativas de matá-la, a deixou paraplégica.

 

Diante tal brutalidade, o caso chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acatou, pela primeira vez, a denúncia de um crime de violência doméstica. O agressor foi preso e cumpriu dois anos de prisão. Hoje está em liberdade.

 

As mudanças aconteceram, mas há casos que ferem corpo e alma da mulher. A violência sexual, que faz vítima também seus filhos ainda crianças, o assédio moral, o uso e exploração do corpo como produto. Muitas mulheres, vítimas da violência doméstica se calam por medo ou vergonha. O salário ainda é inferior, mesmo que esteja no mesmo cargo ocupado por um homem.

O objetivo para a criação dessa data não foi comemorar, mas relembrar fatos e, principalmente discutir o papel da mulher na sociedade atual, bem como o preconceito e desvalorização ainda enfrentados.

 

Bijuterias de Garrafas Pet

Colares,  pulseiras, brincos. Tudo feito através de garrafas Pet. Esse é um trabalho realizado pela Camapet Biju,  juntamente com os estudantes do curso de Desenho Industrial da UNEB.
Além envolver criação e beleza  esse trabalho é também fonte de renda para muita gente.

LIXO transformado em renda

Em meio a tantas dificuldades no mercado de trabalho, somado as exigências de qualificação profissional, muitas pessoas buscam alternativas para ter sua renda no final do mês. Uma dessas alternativas é a Camapet  que no momento trabalha com cerca de 30 cooperados.
De acordo com o assistente administrativo da Camapet, Sidney Souza, o material recolhido (pneus, papelão, garrafas pet, etc.) para o processo de reciclagem é resultado de uma parceria  com mais de 300 condomínios na cidade de Salvador, onde os cooperados, desempregados, caso não estivessem nessa cooperativa, recolhe o material.
Quando esse “lixo” chega a cooperativa, um galpão com amontoados de materiais ainda misturados, os cooperados fazem aseleção, que logo depois é imprensado e vendido às indústrias.
Cada trabalhador recebe um valor mensal que varia entre R$380,00 a 400,00. A dona de casa, Fábia Nascimento, 24 anos e mãe de 2 filhos ediz que se não fosse cooperada estaria desempregada. “O dinheiro que ganho aqui da para sobrevier”. Afirma.
Para trabalhar na cooperativa o interessado passa por um processo de estágio, onde realiza o trabalho durante um mês ganhando 100,00. Após esse período o setor administrativo faz uma avaliação do trabalho e decide se a pessoa fica ou não.
Sidney afirma que o objetivo da cooperativa é aumentar o número de parcerias e assim elevar também a quantidade de cooperados e a renda.

BRASILEIROS barrados na Europa

A todo o momento os meios de comunicação aponta para o crescente número de brasileiros vetados nos aeroportos da união européia, que segundo a embaixada desses paises o motivo da proibição é o descumprimento das exigências para circulação de estrangeiros nesses locais. No Brasil, turistas, principalmente espanhóis também estão sendo barrados. Será que a lei brasileira estão querendo “dar o troco”?
Que o Brasil é conhecido pelo grande número de mulheres que deixam o país para fazer programa na Europa, isso é fato. Essa imagem é construída pelos  próprios turistas europeus que vêm a fim de turismo sexual.
Há também um grande marketing das mulheres brasileiras no exterior como forma de atrair turistas. Mulher produto??
Agências de viagens oferecem aos turistas fotos das “mulatas”, fazendo destas um item significativo ao pacote de viagem. 
A imprensa toda se volta aos maus tratos sofrido pelos brasileiros nos aeroportos estrangeiros, mas é comum veicular propaganda de incentivo ao turismo usando mulheres como cartão de visita.
O Chame trabalha com a prevenção do tráfico de mulher  e mostra casos de muitas que foram enganadas com promessa de casamento e quando chegaram na Europa foram fazer programa. 

“A LÍNGUA é minha pátria e eu não não tenho pátria: tenho mátria e quero fátria”

Na escola, no trabalho, seleção para trabalho, ou concursos sou obrigada a dominar a língua portuguesa de acordo com a norma culta. Sou fruto de escola pública, onde uma das preocupações da maioria dos professores é saber se no final do mês vão receber salário.
E aqueles que nem oportunidades de freqüentar escola pública tiveram o que dizer? Como saberem onde usar o “mas”, “porém”, “contudo”, “entretanto”,”no entanto”, “todavia”. Disseram-me que essas palavras são denominadas articuladores sintáticos de adversidade. Será que disseram também as outras pessoas, aquelas que precisam saber informação porque vai fazer uma seleção para trabalho amanhã, cuja avaliação será uma redação. Pois é. Meu professor falou que preciso dominar a norma culta, mas não sou obrigada a usá-la em todas as situações.
Além do meu professor, Marcos Bagno, membro da Associação Brasileira de Lingüística tem um discurso fundamentado em pesquisa totalmente diferente daquele que estamos acostumados ouvir e ele diz que não existe “falar certo ou errado”.
Veja a entrevista deste lingüista na revista Caros Amigos.

MANCHA que causa deficiência

A hanseníase é uma doença provocada por um micróbio que afeta a pele e os nervos e se não houver tratamento pode causar paralisia dos membros e até mesmo cegueira.Sua manifestação se dá através de manchas na pele esbranquiçadas ou avermelhadas que não dói nem coçam, mas na região afetada o pêlo começa a cair e se acontecer uma queimadura ou corte no local da mancha a pessoa não sente, por isso o ferimento aumenta; quando atinge os nervos, principalmente aqueles próximo da pele, causam dores, perda de sensibilidade nas áreas ligadas por esses nervos, principalmente nos olhos (pálpebras), perda de força nos músculos inervados, membros superiores e inferiores, pés e mãos.
 Francisco Alves, que já foi infectado pelo micróbio e hoje é voluntário do MORHAN, apesar de ter sido curado após quatro anos de tratamento, é deficiente da perna e ficou com seqüelas nos dedos das mãos. Isso porque detectou o micróbio já em estado avançado. Ele diz que além dos sofrimentos físicos causados pela doença, a pessoa atingida pela hanseníase tem que enfrentar o preconceito da sociedade. “Quando fui atingido por esse micróbio, há cinqüenta anos atrás as pessoas chamavam de lepra; “naquele tempo parece que me excluíram da sociedade”; hoje não chamam mais assim, mas o preconceito continua, afirma”. Francisco alerta a necessidade de se procurar um médico com o aparecimento de qualquer mancha.
De acordo com o instituto MORHAN o contágio ocorre através da pessoa doente, portadora do micróbio bacilo de Hansen, que é eliminado em forma de gotas no ar pela tosse, fala ou espirro, atingindo pessoas de todas as idades. Por isso qualquer sintomas as pessoas devem se dirigir ao médico, pois quanto mais cedo o diagnostico, mais rápido será o tratamento

Maiores informações MORHAN núcleo Salvador BA.
(71) 3322- 4158/ 3238- 9646.

POPULAÇÃO não cobra responsabilidade dos seus representantes no governo

Em Salvador, em meio a tantos problemas sociais que deixam a população carente de direitos fundamentais como educação, saúde, emprego, saneamento, principalmente nos bairros periféricos, o povo e seus representantes políticos na Câmara Municipal parecem lutar por objetivos diferentes. A princípio, vale lembrar que os governantes são representantes populares eleitos para trabalhar para o bem-estar de todos, já que se trata da administração do dinheiro público. No entanto, a maioria da população não exerce o direito de cobrar dos agentes políticos o cumprimento de suas obrigações.
A Câmara Municipal de Salvador é composta por 41 vereadores eleitos diretamente pela população, mas poucos eleitores se lembram para quem votou nas últimas eleições e desconhecem o que ocorre no Legislativo municipal, inclusive os projetos apresentados. A corretora de vendas Patrícia Rodrigues diz não se lembrar para quem votou. “Se tivesse uma lista com todos os candidatos, talvez assim eu lembrasse”. Já a promotora Renato Souza, agente administrativo, diz que nem lembra mais em que eleição votou. “Prefiro pagar multa que votar para essas pessoas que só entra na política para roubar, De acordo com Renato se a população tivesse autonomia para tirar os políticos do poder, ele votaria. Raiana Santana afirma lembrar em quem votou, mas não acompanha o trabalho do vereador.
Desde 2004, ano das últimas eleições municipais, foram apresentados à Câmara 385 projetos, dos quais 161 foram aprovados. De acordo com o coordenador de apoio ao Plenário, Augusto Barreto, a votação para a aprovação é aberta ao público, mas apesar do comparecimento de pessoas de bairros populares, quem mais acompanha as votações são aqueles que têm interesse particular nos projetos. Ele diz que a falta de informação do povo faz com que este não se interesse nos assuntos tratado no Legislativo.

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